Polícia Civil prende quatro pessoas na Operação Fake Broker
Investigação apurou atuação criminosa em fraudes imobiliárias envolvendo imóveis de pessoas falecidas em Novo Hamburgo
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A Polícia Civil, através da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, deflagrou nesta sexta-feira (25/09) a Operação Fake Broker, visando desmantelar organização criminosa especializada em fraudes imobiliárias com imóveis de pessoas falecidas. Quatro pessoas foram presas na ação. A investigação policial revelou a atuação do grupo que se especializou em fraudes imobiliárias. Os criminosos utilizavam imóveis pertencentes a pessoas já falecidas, inclusive o imóvel de um padre, para induzir compradores de boa-fé a realizar negociações fraudulentas. O principal articulador da organização criminosa, morador de Novo Hamburgo, apresentava-se como intermediador de negócios imobiliários.
Em algumas das negociações investigadas, há indícios de que os fraudadores afirmavam possuir informações privilegiadas, supostamente obtidas de juízes e oficiais de justiça, utilizando esse discurso para conferir credibilidade às oportunidades apresentadas e transmitir às vítimas a aparência de que se tratavam de negócios vantajosos. Segundo as investigações, as vítimas eram convencidas a visitar pessoalmente os imóveis e, acreditando estarem diante de oportunidades reais de aquisição, firmavam contratos de promessa de compra e venda, entregando valores, veículos e outros bens como parte das negociações.
As apurações indicam que o grupo possuía estrutura organizada e divisão de tarefas entre seus integrantes, com atuação coordenada em diferentes etapas da fraude. Alguns eram responsáveis por localizar e agenciar imóveis pertencentes a pessoas falecidas; outros providenciavam a limpeza e organização dos locais, a troca de chaves, cadeados e fechaduras e alterações nas contas de energia elétrica, criando a aparência de que os imóveis estavam regularmente disponíveis para negociação.
Também foram identificados indícios de falsificação de documentos e utilização de pessoas que se passavam pelos verdadeiros proprietários ou vendedores dos imóveis. Havia ainda integrantes responsáveis pelo recebimento e posterior transferência de veículos para terceiros, utilizados como parte das negociações. Somente após a entrega de valores e bens, as vítimas descobriam que os imóveis não poderiam ser regularmente vendidos, por pertencerem a espólios ou a pessoas já falecidas
A atuação investigada envolve imóveis situados em Novo Hamburgo e em outras cidades do Rio Grande do Sul. Além das fraudes imobiliárias, as investigações apontam que parte dos veículos recebidos em dação eram utilizados como parte das negociações e posteriormente registrados em nome de terceiros. Conforme apurado, a intenção do grupo era realizar o pagamento apenas das primeiras parcelas dos financiamentos e, posteriormente, deixar de adimplir as obrigações, apropriando-se dos veículos e dos valores envolvidos e causando prejuízo também às instituições financeiras.
Entre os fatos mais recentes investigados, um dos líderes da organização criminosa, acompanhado de sua esposa, teria firmado dois contratos de promessa de compra e venda referentes ao mesmo terreno, situado na rua Rincão, em Novo Hamburgo, pertencente a uma pessoa falecida, negociando o mesmo imóvel com compradores distintos. As vítimas, acreditando estar diante de negociações legítimas, realizaram a entrega de valores e bens.
Somente nessas duas negociações mais recentes, envolvendo o mesmo imóvel, o prejuízo estimado chega a R$ 420 mil. Em outro dos casos investigados, uma empresária de Novo Hamburgo sofreu prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Até o momento, os prejuízos identificados decorrentes da atuação da organização criminosa já ultrapassam R$ 2 milhões. A investigação prossegue com o objetivo de identificar todos os envolvidos, esclarecer a extensão da atuação do grupo, localizar outros possíveis imóveis e veículos utilizados nas fraudes e identificar eventuais novas vítimas.