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Operação mira grupo de SP especializado no golpe do falso leilão

Conforme a investigação, foram identificadas, ao menos, 90 vítimas do grupo criminoso

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Diversos policiais homens vestidos com roupas e coletes da Polícia Civil, roupas e equipamentos majoritariamente pretos, dentro de uma sala com paredes brancas
Mandados foram cumpridos em cidades paulistas
Diversos policiais homens vestidos com roupas e coletes da Polícia Civil, roupas e equipamentos majoritariamente pretos, dentro de um casebre
Foram presas seis pessoas na ação

A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (24/09) a Operação Lance Cego, em ofensiva interestadual para desarticular uma complexa associação criminosa especializada em estelionatos eletrônicos, mediante a aplicação do golpe do falso leilão de veículos online. Seis pessoas foram presas.

A ação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos (CGCIBER/DIOPI/SENASP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Segundo a investigação, o grupo estaria sediado no Estado de São Paulo e teria criado uma estrutura para conferir aparência de legalidade às fraudes. Os criminosos utilizavam plataformas eletrônicas que simulavam sites profissionais de leilões, documentos falsificados e uma sofisticada abordagem por telefone e aplicativos de mensagens.

A operação busca o cumprimento de mais de 35 mandados, entre de busca e apreensão e de prisão, além do bloqueio de contas bancárias relacionadas ao esquema. As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Diadema, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e São Paulo.

A aplicação do golpe

De acordo com o relato da vítima, após reunir recursos financeiros com a esposa, passou a pesquisar oportunidades de investimento em veículos provenientes de leilões judiciais e extrajudiciais. A intenção era adquirir os automóveis por valores inferiores aos praticados no mercado e, posteriormente, revendê-los, como forma de complementar a renda familiar.

Durante as pesquisas na internet, a vítima encontrou um site. A página apresentava aparência profissional e transmitia a impressão de se tratar de uma plataforma legítima de leilões. Após realizar o cadastro, em abril de 2026, a vítima passou a receber mensagens pelo WhatsApp de um número com DDD 61. O interlocutor se apresentava como responsável pelo leilão.

A abordagem era cuidadosamente construída para transmitir credibilidade. Havia protocolos de atendimento, mensagens de áudio, orientações formais e utilização de linguagem institucional. Tratava-se de uma fraude estruturada para aparentar uma negociação legítima.

O falso leilão
Dias depois do cadastro realizado no site, os criminosos informaram à vítima que ela havia vencido a disputa por um Nissan Kicks Sense 1.6, ano/modelo 2024/2024, identificado como lote número 23. Na sequência, foi encaminhado um suposto termo de arrematação, contendo dados pessoais da vítima, informações sobre o veículo, valores e instruções para o pagamento.

Conforme apurado pela investigação, o documento apresentava características que simulavam a documentação utilizada em uma operação regular de leilão. Convencida de que havia adquirido o veículo de forma legítima, a vítima realizou, naquele mesmo dia, uma transferência bancária de R$ 51.739,80 para a conta indicada pelos suspeitos.

Depois de receberem o dinheiro, os interlocutores exigiram um novo pagamento, desta vez no valor de R$ 5.711,00, sob a justificativa de que seria necessário recolher ICMS para liberar o veículo. Foi nesse momento que a vítima desconfiou da negociação e procurou a polícia.

Diversos policiais homens vestidos com roupas e coletes da Polícia Civil, roupas e equipamentos majoritariamente pretos, em um beco à frente da porta de um casebre
Grupo criminoso era especializado na aplicação dos golpes, utilizando diversas ferramentas para dar aparência de legalidade



Início das investigações
A partir do registro da ocorrência, foram realizadas diversas diligências com o objetivo de identificar os indivíduos responsáveis pela fraude. No decorrer da investigação, foram identificados os criminosos que realizavam a abordagem direta das vítimas, bem como aqueles que administravam a parte financeira do grupo. Foi possível identificar uma divisão de tarefas que indica uma estrutura organizada, com diferentes integrantes desempenhando funções específicas dentro do esquema.

Durante o levantamento realizado, também foram identificados antecedentes criminais envolvendo parte dos investigados. Segundo apurado, alguns possuem registros relacionados a crimes como roubo e tráfico de drogas, enquanto outros já aparecem relacionados a ocorrências envolvendo estelionato.

Um dos investigados, de acordo com os elementos reunidos pela polícia, já havia sido abordado em outra investigação enquanto transportava uma quantia elevada em dinheiro. Naquela ocasião, conforme relatado pelos investigadores, ele teria admitido que realizava saques de valores provenientes de golpes praticados por comparsas.

Mais de 90 vítimas
O avanço das diligências revelou uma dimensão ainda maior do esquema. Até o momento, a investigação identificou mais de 90 vítimas espalhadas por diferentes Estados brasileiros. Somados, os prejuízos atribuídos às fraudes chegam a aproximadamente R$ 1 milhão.

Segundo a Delegada Luciane Bertoletti, titular da 3ª DP de Canoas, o número de vítimas indica que o caso não se limita à fraude que originou a investigação em Canoas, mas pode representar apenas uma parte de uma atividade criminosa mais ampla.

Polícia Civil RS