Operação contra estelionato prende três pessoas no MT
Grupo utilizava de contatos se passando por executivos de empresas para tentar convencer funcionários a efetuarem repasses
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A Polícia Civil, através da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCPE/DERCC), deflagrou a Operação Fake Eagle, no município de Cuiabá (MT), nesta terça-feira (01/09). O objetivo da ação foi desarticular grupo criminoso investigado pela prática de fraudes eletrônicas mediante simulação de identidade de terceiros e utilização de estrutura bancária e digital destinada ao recebimento e à circulação de valores ilícitos.
Foram cumpridos na ação três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão, expedidos no curso de investigação conduzida pela Polícia Civil gaúcha. As medidas de prisão foram representadas em desfavor de três investigados apontados como integrantes do núcleo operacional da estrutura identificada, enquanto as buscas foram direcionadas a quatro endereços relacionados aos alvos, todos localizados em Cuiabá.
A investigação teve início após uma empresa sediada no município de Esteio ser alvo de uma tentativa de fraude eletrônica. Na ocasião, uma funcionária do setor financeiro recebeu, por meio do aplicativo WhatsApp, mensagem de indivíduo que utilizava a fotografia do diretor da empresa e simulava ser o executivo, solicitando uma transferência no valor de aproximadamente R$ 29 mil.
A fraude somente não foi consumada porque a funcionária identificou que a forma de abordagem destoava do padrão habitual utilizado pelo diretor e deixou de realizar a transferência. Os criminosos haviam indicado para recebimento do valor uma conta bancária mantida junto a um banco comercial nacional, vinculada a terceiro utilizado na estrutura financeira investigada.
A partir dos dados bancários fornecidos para o recebimento do dinheiro, os policiais iniciaram extensa investigação envolvendo a análise de informações bancárias, telefônicas, telemáticas e de conexão à internet, que permitiu identificar uma estrutura criminosa concentrada na Capital mato-grossense.
Modus operandi do golpe
As diligências demonstraram que os investigados utilizavam contas bancárias cadastradas em nome de terceiros, chaves PIX, diversos endereços eletrônicos, aparelhos celulares e linhas telefônicas com códigos de área de outras unidades da federação, criando diferentes camadas para dificultar a identificação dos reais operadores e o rastreamento dos valores.
Um dos elementos identificados pela investigação foi a utilização de uma linha telefônica com DDD 51, empregada diretamente na abordagem da vítima no Rio Grande do Sul, embora os dados de localização das antenas de telefonia tenham demonstrado que o terminal foi utilizado exclusivamente no município de Cuiabá.
Além da linha utilizada na tentativa de fraude, a análise dos aparelhos vinculados à investigação permitiu identificar outros 14 números telefônicos com DDD 51, indicando possível utilização reiterada de números aparentemente locais como estratégia de engenharia social para conferir maior credibilidade às abordagens realizadas contra vítimas residentes no Rio Grande do Sul.
A investigação também identificou uma estrutura de múltiplas contas eletrônicas e bancárias, algumas delas registradas em nome de pessoas interpostas. A análise dos dados fornecidos por provedores de serviços digitais demonstrou que diversas contas utilizadas para gerenciamento financeiro estavam associadas aos mesmos dispositivos e às mesmas infraestruturas de conexão, evidenciando atuação integrada entre os investigados.
Os elementos reunidos permitiram individualizar três investigados como integrantes do núcleo operacional da estrutura, responsáveis por diferentes funções relacionadas ao controle de contas digitais, fornecimento de infraestrutura de conexão e acesso às contas bancárias utilizadas nas atividades investigadas. Neste sentido, foi identificado que o grupo fazia revezamento no monitoramento da conta bancária, enquanto o restante dos integrantes aguardavam a concretização da transferência fraudulenta.
A Operação Fake Eagle busca, além da prisão dos principais investigados, a apreensão de aparelhos celulares, computadores, chips telefônicos, cartões bancários, documentos, mídias de armazenamento, dispositivos de autenticação e outros elementos digitais capazes de permitir o aprofundamento das investigações, a identificação de eventuais novas vítimas e a completa delimitação da atuação do grupo.
Responsabilizações
Os investigados poderão responder, conforme a individualização das respectivas condutas e o avanço das investigações, pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica, na forma tentada, e associação criminosa, sem prejuízo da identificação de outras infrações penais a partir da análise do material eventualmente apreendido. A investigação já reuniu indícios suficientes de autoria em relação aos três principais investigados quanto à fraude eletrônica tentada, além de elementos indicativos de atuação coordenada, estruturada e com divisão de funções.
Com a deflagração da Operação Fake Eagle, a Polícia Civil reafirma seu compromisso com a repressão qualificada aos crimes patrimoniais praticados por meios eletrônicos, especialmente aqueles estruturados a partir do uso de contas bancárias de terceiros, perfis digitais e mecanismos destinados a dificultar a identificação dos autores e o rastreamento dos valores.
O Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos – DERCC é a unidade especializada da Polícia Civil do Rio Grande do Sul responsável pela repressão qualificada à criminalidade praticada em ambiente digital, atuando em investigações complexas, análise de dados bancários, telefônicos e telemáticos e ações voltadas à identificação, responsabilização criminal e desarticulação de estruturas criminosas.


