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Polícia Civil desarticula clínicas geriátricas clandestinas

Operação Pietá também prendeu três pessoas por crimes contra idosos

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Cama mostrando cobertor e colchonete em estado ruim de conservação, com manchas e sujeira aparente
Além da total falta de alvarás e licenças, locais possuíam condições insalubres aos idosos e há relatos de violência

A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (28/09) a Operação Pietá, comandada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Esteio, que desarticulou duas casas geriátricas clandestinas em Esteio e Sapucaia do Sul, além de prender três suspeitos por maus-tratos e tortura contra nove idosos.

A ofensiva operacional foi executada de forma integrada, contando com o apoio operacional e técnico das Guardas Municipais de Esteio e de Sapucaia do Sul, das equipes de fiscalização da Vigilância Sanitária, dos corpos técnicos das Secretarias Municipais de Assistência Social e da rede pública de saúde em ambos os municípios, além do Conselho Tutelar de Sapucaia do Sul.

"Esta operação demonstra o compromisso da Polícia Civil com a proteção dos mais vulneráveis. O que mais nos impressionou foi a crueldade e a total falta de humanidade com que idosos, que deveriam receber cuidado e dignidade, eram tratados. Foram encontradas pessoas acamadas, sem alimentação, sem higiene, em situação absolutamente degradante. Não podemos aceitar que quem deveria cuidar seja exatamente quem maltrata. Quero destacar ainda a atuação conjunta com a Vigilância Sanitária, as Secretarias de Assistência Social e as Guardas Municipais de Esteio e Sapucaia do Sul, foi essa integração que tornou possível o resgate desses idosos", destaca o Delegado Titular da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM) de Canoas, Cristiano Reschke.

Início das investigações

Os trabalhos investigativos foram instaurados no início do mês de setembro a partir do cruzamento de duas frentes informativas essenciais que aportaram na unidade policial. Inicialmente, a Vigilância Sanitária do município de Esteio formalizou notícia-crime após ter acesso a um registro em vídeo captado no interior do estabelecimento clandestino, onde se visualizava uma mulher idosa sendo arrastada de forma violenta pelo chão, submetida a humilhação explícita e agressões físicas.

Concomitantemente a neta da referida vítima compareceu à Deam de Esteio para registrar boletim de ocorrência formal após tomar ciência do conteúdo das imagens, oportunidade em que retirou imediatamente a sua avó do local e revelou que a idosa permanecia sob a guarda e responsabilidade das suspeitas há cerca de dois anos.

Diante da gravidade inconteste dos fatos narrados, a autoridade policial da Deam de Esteio determinou a imediata instauração do competente inquérito policial e iniciou operações de vigilância e monitoramento de campo sobre os dois endereços vinculados às administradoras da atividade ilícita. As diligências preliminares confirmaram de pronto a natureza clandestina dos estabelecimentos, caracterizada pela ausência total de alvará de funcionamento e de autorização sanitária, inexistência de profissionais legalmente habilitados para assistência a pessoas idosas e o encarceramento das vítimas em condições notoriamente degradantes e insalubres.

Em continuidade ao planejamento estratégico da intervenção, foi realizada em 23 de setembro, nas dependências da Deam de Esteio, uma reunião intersetorial com a presença de assistentes sociais dos municípios de Esteio e Sapucaia do Sul, oportunidade em que se traçou o fluxo operacional para a garantia de acolhimento emergencial, triagem clínica e salvaguarda das vítimas. Com base nas provas coligidas, a Polícia Civil representou perante o Poder Judiciário pela expedição de mandados de busca e apreensão para os imóveis identificados, bem como pela decretação das prisões preventivas das responsáveis pela gerência dos locais. O cumprimento das ordens judiciais ocorreu de modo prioritário na manhã desta segunda-feira, assegurando a tempestividade da ação antes das restrições inerentes à legislação eleitoral vigente.

Polícia Civil RS