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Operação Cerco Fechado mira organização criminosa atuante no tráfico de drogas em Butiá

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Cumprimento de ordens judiciais - Foto: DCS/PCRS

A Polícia Civil, por meio da 4ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (4ªDIN/Denarc), nesta manhã (29) deflagrou a Operação Cerco Fechado, com o objetivo de desarticular associação criminosa voltada ao tráfico de entorpecentes no município de Butiá.

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Briefing da operação - Foto: DCS/PCRS

Foram cumpridos 15 mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário após representação da Autoridade Policial, no curso de investigação que apura a atuação estável e permanente de diversos indivíduos vinculados ao tráfico de drogas na região. Até o momento, 13 pessoas foram presas. Drogas, munições e acessórios foram apreendidos durante a ofensiva.

Conforme a Delegada Ana Flávia Leite, a investigação teve início em maio de 2025, a partir do recebimento de informações anônimas que indicavam que um indivíduo, mesmo recolhido ao sistema prisional, continuava exercendo papel de liderança no tráfico de entorpecentes, coordenando a distribuição de drogas, o fluxo financeiro da atividade ilícita e a atuação de comparsas em liberdade. As apurações também demonstraram que o grupo contava com apoio externo para suporte logístico e financeiro, preservando a continuidade das atividades criminosas, mesmo com seu principal articulador no cárcere.

Na primeira fase da investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços situados em Butiá, bem como na cela ocupada pelo investigado apontado como liderança. As diligências resultaram na apreensão de cocaína, além de porções de maconha, armas de fogo, munições, aparelhos celulares, balança de precisão, valores em espécie, materiais utilizados para fracionamento e acondicionamento de entorpecentes, anotações ligadas ao controle da atividade ilícita e veículo automotor vinculado à ocorrência. Um dos investigados foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecentes.

Ainda nessa etapa, o cumprimento de medida no interior da unidade prisional revelou a apreensão de diversos aparelhos telefônicos, chips de telefonia e porção de substância semelhante a crack, evidenciando a relevância da comunicação ilícita mantida a partir do cárcere. Os elementos arrecadados nessa primeira fase confirmaram os indícios já levantados por meio de denúncia anônima, monitoramentos de campo e demais diligências investigativas.

Na sequência, a investigação avançou de forma decisiva com a análise telemática dos aparelhos celulares apreendidos, submetidos à extração forense de dados. A partir dos registros de comunicações, contatos, arquivos, imagens e comprovantes de transferências, os policiais civis conseguiram reconstruir a dinâmica operacional da associação criminosa, identificando a divisão de tarefas entre os envolvidos, a existência de diferentes pontos de venda e a manutenção de fluxo contínuo de ordens, repasses e acertos financeiros.

Os dados extraídos evidenciaram negociações de entorpecentes, oferta e venda direta a usuários, encaminhamento de compradores para outros pontos de tráfico, cobrança de valores pendentes, repasses por meio de transferências via pix e articulação logística para entrega de drogas. As conversas também mostraram que integrantes do grupo exerciam funções específicas, como guarda de entorpecentes, intermediação de compradores, distribuição de porções fracionadas e manutenção dos pontos de venda.

A análise telemática revelou, ainda, que os investigados monitoravam a atuação policial na região, trocando informações sobre movimentações de viaturas, presença de agentes nas proximidades dos pontos de venda e situações que pudessem comprometer a continuidade da traficância. As comunicações demonstraram preocupação constante com a repressão policial e indicaram que o grupo ajustava sua atuação para ocultar drogas, reduzir exposição e preservar a circulação de entorpecentes mesmo diante da presença do Estado.

Outro dado relevante é que os investigados mantinham comunicação frequente para redirecionar consumidores entre diferentes pontos de venda, definir quantidades, preços, horários e formas de pagamento, inclusive durante a madrugada. “A apuração demonstrou que, quando um ponto estava temporariamente inativo, compradores eram encaminhados a outros locais, mantendo a continuidade da mercancia ilícita e evidenciando a estabilidade da associação criminosa”, explicou a Delegada Ana Flávia.

Quanto à liderança investigada, os elementos reunidos indicaram que, mesmo recolhido ao sistema prisional, o investigado seguia exercendo ingerência concreta sobre a circulação de valores, sobre pagamentos a terceiros e sobre a dinâmica operacional do tráfico, repassando ordens, orientando movimentações e monitorando a continuidade das atividades criminosas com apoio de comparsas em liberdade.

Também foram identificados elementos de controle financeiro paralelo, com registros manuscritos contendo nomes, valores, cálculos e anotações, além de movimentações financeiras consideradas atípicas e vínculos com diversos indivíduos inseridos no mesmo ambiente relacional investigado. O conjunto dessas informações reforçou a existência de estrutura voltada à manutenção da atividade criminosa e ao gerenciamento informal dos recursos oriundos do tráfico de entorpecentes.

Ainda segundo a Delegada Ana Flávia Leite, os elementos reunidos ao longo da investigação demonstram a existência de associação criminosa estável, com divisão de funções, continuidade operacional e liderança exercida inclusive a partir do sistema prisional, circunstâncias que evidenciam a necessidade das medidas cautelares para interromper a prática delitiva e resguardar a ordem pública.

“A Operação Cerco Fechado integra a estratégia da Polícia Civil de intensificar as ações de repressão qualificada ao tráfico de entorpecentes e à atuação de associações criminosas no Rio Grande do Sul”, complementou a Delegada Ana Flávia.

Disque-Denúncia do Denarc

08000 518 518

Polícia Civil RS