Polícia Civil deflagra Operação Via Ápia para desarticular grupo especializado em roubo de cargas e lavagem de capitais
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (12/05), a Operação Via Ápia, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCOR/Draco/Deic), com o objetivo de desarticular um grupo especializado na prática recorrente de roubos de cargas e na subsequente lavagem de capitais.
Durante a ofensiva, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, 15 mandados de busca e apreensão, 15 quebras de sigilo telefônico e telemático, 11 afastamentos dos sigilos bancário e fiscal, três sequestros de bens imóveis e 11 bloqueios de contas, com indisponibilidade de valores. As ordens judiciais foram executadas em Porto Alegre, Gravataí, Canoas, Cachoeirinha, Viamão, Alvorada e no estado de Santa Catarina.
Até o momento, 06 pessoas foram presas. Três veículos, documentos e celulares foram apreendidos.
A investigação apurou que a organização criminosa demonstrava elevado grau de profissionalismo e sofisticação, operando um esquema de lavagem de dinheiro destinado a conferir aparência de legalidade ao patrimônio obtido por meio de graves infrações penais contra o patrimônio e a ordem pública. O grupo possuía estrutura hierárquica rígida e divisão funcional de tarefas.
A ação operacional visa não apenas à responsabilização dos envolvidos, mas, sobretudo, à asfixia financeira da organização criminosa, medida considerada indispensável para o combate efetivo ao crime organizado contemporâneo.
A investigação teve origem em inquérito voltado à desarticulação de uma organização criminosa com atuação marcante no Rio Grande do Sul, especializada na prática de roubos majorados contra motoristas de entrega. No decorrer das apurações, foi reunido um vasto conjunto probatório que demonstrou não apenas a habitualidade das subtrações violentas, mas também a existência de uma estrutura logística permanente para a receptação qualificada das cargas roubadas, mediante grave ameaça e uso ostensivo de armas de fogo.
Contudo, a análise detalhada da dinâmica operacional do grupo revelou que a atividade criminosa não se limitava aos crimes patrimoniais violentos. A operacionalização do esquema apoiava-se em uma complexa rede de pessoas, popularmente conhecidas como “laranjas”, recrutadas majoritariamente entre familiares e pessoas próximas ao líder da organização, o que conferia maior proteção e fidelidade à estrutura criminosa.
No curso das investigações, verificou-se que a organização subdividia-se em núcleos específicos, com atribuições bem delineadas, garantindo a continuidade das operações mesmo diante de eventuais prisões de integrantes. O núcleo operacional era responsável pela execução dos roubos e pelo suporte logístico, incluindo a utilização de veículos registrados em nome de terceiros e equipamentos de bloqueio de sinal (“jammers”). O núcleo financeiro atuava na gestão de contas bancárias, no recebimento de pagamentos de locações e na fragmentação de valores para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle. Já o núcleo administrativo formalizava contratos de locação de veículos e imóveis, gerenciava manutenções e providenciava documentação para simular negócios jurídicos legítimos.
A Operação Via Ápia reafirma o compromisso da Polícia Civil do Rio Grande do Sul com a repressão qualificada ao crime organizado, utilizando inteligência policial e asfixia patrimonial como ferramentas para neutralizar estruturas que sustentam a criminalidade violenta no estado.
A ação contou com a participação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e com um efetivo aproximado de 100 policiais civis.























