Polícia Civil deflagra Operação Olissipo contra organização criminosa que comandava o tráfico de dentro do sistema prisional
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Na manhã desta quarta-feira (15/10), a Polícia Civil, por meio da 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN/Denarc), deflagrou a Operação Olissipo, com o objetivo de desarticular um núcleo de organização criminosa com atuação em Viamão.
Ao todo, são cumpridas 40 ordens judiciais, sendo 24 mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão. As ações ocorrem em Viamão, Porto Alegre, Balneário Pinhal e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Até o momento, 21 pessoas foram presas e dois veículos foram apreendidos.
A investigação identificou uma estrutura de comando e gerência do tráfico de drogas que recebia determinações de dentro do sistema prisional e utilizava armas para exercer o controle territorial. O núcleo investigado é vinculado a uma organização criminosa oriunda do Vale dos Sinos e controlava pontos de venda de drogas, estoques e repasses financeiros, além de empregar pessoas armadas para proteger a atividade ilícita e impor seu domínio sobre o território.
As apurações também apontaram que integrantes do grupo teriam assumido o controle de um condomínio em Viamão e divulgado um comunicado aos moradores anunciando uma “nova gestão” do local. O episódio evidencia, segundo a investigação, a tentativa de submeter a comunidade ao domínio da organização criminosa por meio da intimidação.
Mesmo com parte dos integrantes presa, a organização mantinha suas atividades. De dentro do sistema prisional, eram transmitidas ordens sobre o abastecimento de drogas, a divisão de tarefas, o funcionamento dos pontos de venda e a destinação dos recursos arrecadados. Em liberdade, gerentes executavam as determinações, coordenavam os demais integrantes e prestavam contas às lideranças.
Nesse contexto, a investigação identificou indícios da participação de um advogado como elo entre a liderança encarcerada e os integrantes em liberdade. Conforme os elementos reunidos, ele encaminhava demandas à liderança, retransmitia decisões e intermediava conflitos relacionados ao controle dos pontos de tráfico, à divisão de funções e à responsabilidade pelas drogas e pelos valores arrecadados.
O advogado é investigado por suspeita de integrar a organização criminosa, exercendo funções de articulação e apoio à gestão operacional do grupo. Segundo a investigação, as condutas apuradas extrapolariam o exercício regular da advocacia e estariam diretamente relacionadas à continuidade das atividades criminosas.
As prisões preventivas e os mandados de busca e apreensão têm como objetivo desarticular a estrutura de comando e gerência da organização, interromper suas atividades e reunir novos elementos de prova.
O Delegado Wesley Lopes, responsável pela investigação, destacou a estrutura hierárquica do grupo e o uso da intimidação para manter o controle territorial. “A investigação identificou uma organização com divisão de tarefas, gerência dos pontos de tráfico e lideranças que transmitiam ordens de dentro do sistema prisional. O grupo também utilizava armas e intimidação para impor seu domínio, chegando a anunciar aos moradores que havia assumido o controle de um condomínio. Nesse contexto, foram reunidos indícios da participação de um advogado na transmissão de decisões e na mediação de disputas internas. A operação busca desarticular essa estrutura de comando e gestão”, afirmou.
O Diretor de Investigações do Denarc, Delegado Alencar Carraro, ressaltou o compromisso da instituição com o desmantelamento das organizações criminosas e a prisão de suas principais lideranças, além da retirada de bens vinculados às atividades ilícitas. “A operação de hoje é mais um recado para esse grupo de que o Denarc e a Polícia Civil estão atentos às ações criminosas gestadas e implementadas neste Estado”, destacou.
Já o Diretor-geral do Denarc, Delegado Carlos Wendt, reafirmou o compromisso do Departamento com o combate permanente ao narcotráfico no Rio Grande do Sul. “A responsabilização das lideranças e a desarticulação dos grupos criminosos são prioridades institucionais. Trabalhamos para enfraquecer as estruturas que sustentam o tráfico e a violência, ampliando a segurança da população”, ressaltou.
As investigações prosseguem para esclarecer a participação de cada investigado e subsidiar a responsabilização criminal dos envolvidos.
Disque-denúncia do DENARC:
08000 518 518
