Operação da Polícia Civil mira núcleo operacional de organização criminosa especializada no golpe do falso leilão
Um homem foi preso e mandados cumpridos em São Paulo
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A Polícia Civil, através da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM), por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, coordenada pelo Delegado Marco Guns, deflagrou nesta segunda-feira (13/04) a Operação VoIP & Cloud. A ação visa desarticular o núcleo tecnológico e operacional de uma associação criminosa especializada em estelionatos qualificados, cometidos por meio de sites fraudulentos que simulavam leilões oficiais de veículos.
Durante a investigação, que perdurou por mais de um ano, a equipe de inteligência telemática logrou êxito em romper o anonimato digital utilizado pelos criminosos. O grupo utilizava sofisticados sistemas e infraestrutura de rede para mascarar sua real localização, simulando operar no Rio Grande do Sul, enquanto o núcleo de comando estava estabelecido no Estado de São Paulo.
O trabalho investigativo permitiu o rastreamento de "pegadas digitais" deixadas pelos suspeitos no momento da estruturação das plataformas fraudulentas. Esse desenvolvimento técnico foi crucial para identificar a residência dos principais alvos, de onde operavam os canais de atendimento utilizados para ludibriar dezenas de vítimas em todo o país.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais em Embu das Artes (SP), o principal articulador do grupo foi preso; sua comparsa, no entanto, segue foragida. O homem, especialista em sistemas de informática e com antecedentes por crimes patrimoniais, é apontado como o mentor tecnológico da estrutura.
No local, foram apreendidos diversos dispositivos eletrônicos, incluindo computador de alto desempenho e aparelhos celulares que serviam como "central de interação digital" para a aplicação dos golpes. Além do material probatório, a Polícia Civil efetuou a apreensão de dois veículos, um VW/T-Cross e um Toyota/Corolla, bens avaliados em aproximadamente R$ 350 mil, que denotam o vultoso proveito econômico obtido com a prática ilícita.
O grupo criava portais espelhados de leiloeiras renomadas, utilizando técnicas de engenharia social para transmitir credibilidade às vítimas. Após os falsos arremates, os valores eram rapidamente pulverizados em uma rede de contas bancárias vinculadas a empresas de fachada.
O Delegado Marco Guns, que chefiou a operação chama a atenção para a movimentação financeira do casal: “Durante a busca e apreensão, foram encontrados elementos indicativos de que o casal tenha auferido mais de R$ 750.000,00 com os golpes; estima-se que a movimentação patrimonial total do grupo supere a marca de R$ 1 milhão”, afirma.
A Operação VoIP & Cloud reafirma o compromisso da Polícia Civil gaúcha no combate aos crimes cibernéticos, demonstrando que o uso de tecnologia para o anonimato não é barreira para a atuação da segurança pública. A ação contou com o apoio fundamental da Polícia Judiciária de São Paulo. As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da rede financeira do grupo e localizar ativos destinados ao ressarcimento das vítimas.
Para o Delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª DPRM, os golpes de falsos leilões no Rio Grande do Sul têm se tornado cada vez mais sofisticados, utilizando sites que clonam a identidade visual de órgãos oficiais e empresas renomadas, e a operação VoIP & Cloud comprova isso mas também demonstra que “a Polícia Civil tem se especializado na investigação telemática e no uso de modernas técnicas de investigação, o que tem permitido buscar esses criminosos em diversos cantos do país, de onde operam escritórios do crime, acreditando estarem imunes as nossas ações. Continuaremos apertando o cerco a eles. Já estivemos em outubro do ano passado em SP e retornaremos quantas vezes forem necessárias para prender outros criminosos, mas, em paralelo, é importante que se discuta mais camadas de segurança para o consumidor nas plataformas de internet.”
Como o golpe funciona
Criminosos criam portais falsos que simulam leilões de veículos, eletrônicos e joias, muitas vezes utilizando o nome e o logotipo do DetranRS ou da JucisRS (Junta Comercial).
- Anúncios Pagos: Os golpistas investem em anúncios em redes sociais e buscadores para que seus sites apareçam no topo das pesquisas de leilões, assim garantiam o alcance de mais vítimas.
- Pressão Psicológica: Atendentes falsos entram em contato via WhatsApp para apressar o pagamento, alegando que o lote será perdido se o depósito não for imediato.
- Método de Pagamento: Exigem pagamentos via PIX ou transferências para contas de pessoas físicas ou empresas de fachada, o que não ocorre em leilões legítimos.
- Clonagem de anúncios: Os criminosos copiavam veículos de leilões legítimos e os disponibilizavam em páginas falsas.
- Simulação de legitimidade: O ambiente virtual era elaborado para parecer real, com documentos falsificados, termos de arremate e até a utilização de nomes e endereços verdadeiros de casas de leilão.
- Contato via WhatsApp: Após a vítima acessar o site, era direcionada a um número de celular. A negociação era feita de forma convincente até a transferência bancária.
A Polícia Civil gaúcha tem realizado operações constantes para desarticular essas quadrilhas:
Operação Mímesis (Outubro/2025): Investigou uma organização interestadual que causou prejuízos de mais de R$ 700 mil a 48 vítimas no Estado.
Operação Lance Final (outubro /2025): Focada em estelionatários que operavam de São Paulo visando vítimas no Rio Grande do Sul.
Casos Graves: Em abril de 2026, um morador da Região Metropolitana de Porto Alegre relatou a perda de mais de R$ 100 mil em um único falso leilão de carros.
Como se proteger
1. Verifique o domínio: Sites oficiais de órgãos públicos no Brasil terminam obrigatoriamente em gov.br. Desconfie de finais como .org, .net ou .com/br.
2. Consulte o Leiloeiro: Todo leiloeiro oficial deve estar registrado na JucisRS. Verifique se o nome do profissional e o site constam na lista oficial.
3. Visite o lote: Nunca finalize uma compra sem realizar uma visita presencial ao pátio indicado. Em muitos golpes, o endereço fornecido é um terreno baldio ou local inexistente.
4. Atenção ao pagamento: Leilões de órgãos como o DetranRS nunca solicitam PIX para contas de pessoas físicas. Os pagamentos são feitos via guia própria (GAD-E) em bancos conveniados.
Fui vítima, e agora?
Registre Ocorrência: Procure a Delegacia de Polícia Civil mais próxima ou utilize a Delegacia Online do RS.
Contate o Banco: Informe imediatamente sua instituição financeira sobre a fraude para tentar o bloqueio dos valores via Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central.
Justiça: O TJRS já proferiu decisões condenando plataformas digitais a indenizarem vítimas quando há falha na segurança do anúncio veiculado.
