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Operação Apakani combate narcotráfico interestadual e lavagem de dinheiro

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Operação Apakani

Nesta quinta-feira (11/06), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por intermédio da Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro da Divisão de Investigações do Narcotráfico – DRLD/DINARC e da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal – DIPAC, ambas do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico – DENARC, deflagrou a Operação Apakani.

A ação, coordenada pelos Delegados de Polícia Antônio Carlos Ractz Júnior e Adriano Nonnenmacher de Souza, tem por objetivo desarticular uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao narcotráfico estadual e interestadual. A ação decorre de investigação sobre organização criminosa, envolvendo distribuição de entorpecentes, movimentação de valores ilícitos e ocultação patrimonial. A operação integra a Operação Narke 6, coordenada nacionalmente pela SENASP/MJSP.

Na fase ostensiva da investigação, medidas cautelares foram deferidas pelo 2º Juízo da 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, sendo 28 mandados de prisão preventiva, cinco mandados de prisão temporária, 58 mandados de busca e apreensão, 58 bloqueios de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas e 14 sequestros de veículos. Na fase sigilosa, foram implementadas 71 medidas cautelares investigativas, abrangendo afastamentos de sigilo bancário, fiscal, financeiro e telemático. Até o momento, 26 pessoas foram presas. Foram apreendidos R$ 22.000,00 em espécie e uma arma de fogo.

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Os mandados  foram cumpridos na capital, em Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Farroupilha, Gramado, Caxias do Sul e Santa Maria. Em Santa Catarina, as diligências ocorreram nas regiões Sul e da Grande Florianópolis, incluindo Criciúma, Balneário Rincão, Lauro Müller, Palhoça, São José e Florianópolis. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em estabelecimentos prisionais: Penitenciária Estadual de Porto Alegre – PEPOA, Penitenciária Estadual do Jacuí – PEJ, Instituto Penal de Charqueadas, Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas – PASC, Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos, Presídio Regional de Passo Fundo e Centro de Integração Social de Piraquara da Penitenciária Feminina do Paraná II. 

Além disso, diligências investigatórias foram realizadas em empresas localizadas nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com apoio das respectivas Polícias Civis. Para o cumprimento das medidas, são empregados 249 policiais civis da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e 50 policiais civis da Polícia Civil de Santa Catarina.

Início das investigações

A investigação teve início após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha pela DRLD/DINARC, em 2023, no município de Canoas. No decorrer das apurações, constatou-se que a organização criminosa distribuía cocaína e crack em larga escala no Rio Grande do Sul, mediante operações logísticas interestaduais sofisticadas, incluindo a utilização de imóveis locados em áreas nobres de municípios gaúchos para depósito de entorpecentes e redução do risco de rastreamento.

Bloqueios e descapitalização

O total movimentado pela organização criminosa durante a investigação alcançou R$ 21.331.737,72. O modus operandi identificado consistia na lavagem de capitais por meio do sistema financeiro e na inserção de ativos ilícitos na economia formal, especialmente mediante aquisição de veículos, circulação de valores em espécie, integração e mescla de capital espúrio em empresas reais, de fachada e fantasmas.
As movimentações bancárias eram realizadas por meio de dissimulações estruturadas, pulverizações, smurfing, fracionamentos, triangulações, uso de contas de terceiros, contas de passagem, depósitos e saques rápidos, casas lotéricas e caixas eletrônicos.
Os valores circulavam entre líderes, gerentes, operadores de outras cidades vinculados ao narcotráfico em larga escala e interpostas pessoas, chamando atenção o recrutamento de indivíduos com antecedentes por homicídio, tráfico de drogas e roubo.
A complexidade e a sofisticação das dissimulações também envolveram 21 empresas detectadas como operadoras do esquema após análises financeiras, telemáticas e patrimoniais, localizadas nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Os valores ilícitos vinculados a essas pessoas jurídicas estão sendo objeto de indisponibilidade judicial, evidenciando conexões interestaduais entre organizações criminosas por meio de pessoas físicas e jurídicas.

AÇÃO INTEGRADA À OPERAÇÃO NARKE 6

A Operação Apakani ocorre no âmbito da Operação Narke 6, ação nacional coordenada pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública – DIOPI/SENASP/MJSP e executada pelas Polícias Civis de todo o país, destinada ao enfrentamento qualificado do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro e das organizações criminosas.

A iniciativa nacional envolve investigações, ações de inteligência, cumprimento de mandados, prisões, apreensões e medidas de descapitalização patrimonial, com foco na desarticulação de estruturas criminosas e na redução de sua capacidade financeira e operacional.

Segundo os Delegados Nonnenmacher e Ractz, a operação busca descapitalizar a organização criminosa e propiciar a responsabilização criminal de lideranças de alto escalão, bem como de sua rede de operadores financeiros e logísticos estaduais e interestaduais.

Conforme o Delegado Alencar Carraro, Diretor da DINARC, esta fase da operação é relevante por atingir grandes distribuidores de drogas, com elevada expertise criminal, a partir de provas robustas de lavagem de capitais e organização criminosa, reunidas ao longo de mais de um ano de análises e diligências.

O Delegado Carlos Henrique Wendt, Diretor do DENARC, destaca a importância do apoio mútuo entre as instituições envolvidas no presente trabalho. "No momento em que as organizações criminosas mantêm conexões interestaduais para o abastecimento de drogas na Região Sul do país, é fundamental que os órgãos estatais aprimorem a integração na troca de informações e no apoio operacional à repressão ao narcotráfico. E hoje, foi possível alcançarmos esses resultados extremamente positivos, graças a esse entendimento estratégico, por parte do Poder Judiciário, do Ministério Público e das Polícias Civis dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina", afirmou o Diretor.

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Operação Apakani

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