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Operação desarticula esquema interestadual que aplicava o golpe do Falso Executivo

Investigação revelou rede criminosa com atuação em Mato Grosso e Rio Grande do Norte

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Foram cumpridas 87 cautelares nos estados do Mato Grosso e Rio Grande do Norte.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta manhã (09), a Operação Interface, uma grande ofensiva interestadual para desarticular uma complexa associação criminosa especializada em estelionatos eletrônicos mediante a aplicação do golpe do “Falso Executivo”. A ação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e contou com o apoio crucial do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos (CGCIBER/Diopi/Senasp), do Ministério da Justiça e da Polícia Civil do Estado do Mato Grosso/MT e Rio Grande do Norte/RN.

Foram cumpridas 87 medidas cautelares, sendo 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão nos estados do Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Também foram realizados os bloqueios de todas as contas bancárias vinculadas a esses indivíduos. Até o momento, 18 pessoas foram presas. Foram apreendidos carros, motos, celulares, chips e R$ 15.000,00 em espécie.

Uma sofisticada organização criminosa especializada em golpes eletrônicos foi alvo de uma operação policial após causar um prejuízo de R$ 193.601,89 a uma empresa do setor industrial. O esquema utilizava aplicativos de mensagens para se passar por executivos de empresas e induzir funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias para contas controladas pelos criminosos.

O caso teve como uma das vítimas uma assistente financeira, funcionária de uma indústria, que acreditou estar recebendo instruções legítimas do presidente da empresa. A fraude ocorreu em 2025 e se tornou mais um exemplo da crescente sofisticação dos golpes corporativos praticados por grupos criminosos especializados em engenharia social.

De acordo com a investigação, no dia 5 de fevereiro de 2025, a assistente financeira recebeu mensagens de um número de telefone que exibia a fotografia do presidente da empresa. Como o executivo encontrava-se em viagem e frequentemente solicitava pagamentos a fornecedores por meio de mensagens, a funcionária não identificou qualquer irregularidade.

Seguindo as orientações recebidas, ela realizou transferências bancárias para contas indicadas pelo suposto diretor. Os valores foram distribuídos entre diferentes destinatários. Somente dois dias depois, ao perceber que os pagamentos eram elevados e haviam sido solicitados em curto espaço de tempo, a funcionária desconfiou da situação. Ao verificar o número utilizado, constatou que não correspondia ao telefone verdadeiro do presidente da empresa.

A partir do registro da ocorrência, a investigação foi iniciada com a finalidade de identificar os responsáveis. As diligências apontaram que o golpe foi executado a partir do estado de Mato Grosso, especialmente da região de Cuiabá, local já conhecido pelas autoridades pela incidência de crimes semelhantes, como os golpes do “falso intermediário” e do “falso parente”. Após, os valores foram transferidos para outros criminosos, residentes em outro estado.

As apurações revelaram ainda a existência de uma estrutura criminosa organizada, composta por diferentes funções. Entre elas estão os chamados “conteiros”, pessoas que cedem suas contas bancárias para receber recursos provenientes de crimes, e os “tripeiros”, responsáveis por recrutar esses titulares de contas em troca de comissões e os gerentes do esquema. A investigação também identificou o executor e o articulador do golpe, indivíduos com vasta ficha criminal por delitos semelhantes.

Segundo a Polícia Civil, os investigados empregavam uma estratégia de pulverização financeira para dificultar a recuperação dos valores e o rastreamento dos recursos. O dinheiro era rapidamente fragmentado e transferido para dezenas de contas em diferentes estados brasileiros, muitas delas vinculadas a instituições financeiras digitais de menor expressão no mercado. A técnica permite retardar bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema.

Segundo a Delegada Luciane Bertoletti, esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais comum no ambiente corporativo brasileiro: “Os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e utilizam fotografias, nomes e informações públicas para criar perfis falsos extremamente convincentes”.

A Polícia Civil alerta que empresas devem adotar protocolos rígidos de confirmação para qualquer solicitação de transferência bancária, especialmente quando envolver alteração de contas, pagamentos urgentes ou valores expressivos. A orientação é que toda movimentação financeira relevante seja validada por mais de um canal de comunicação e, sempre que possível, por contato direto com o responsável pela solicitação.

“A operação representa mais um passo no combate às organizações criminosas especializadas em fraudes eletrônicas, modalidade que vem movimentando milhões de reais em todo o país e exigindo atuação integrada entre unidades policiais, instituições financeiras e órgãos de inteligência”, destacou a Delegada Bertoletti.

O Diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, Delegado Cristiano Reschke, enfatizou a gravidade da profissionalização desses nichos criminosos: “O que testemunhamos nos últimos anos é uma transição alarmante: grupos que antes atuavam em crimes convencionais migraram para o ambiente digital, desenvolvendo uma especialização técnica sem precedentes em estelionatos e extorsões. Mais do que quadrilhas isoladas, identificamos verdadeiros ecossistemas do crime que operam como 'escolas', onde táticas de fraude são disseminadas e novos criminosos são recrutados e treinados. Assim como Passo Fundo consolidou-se historicamente como um polo do golpe do bilhete, estados como Mato Grosso, Rio Grande do Norte e São Paulo têm concentrado núcleos altamente sofisticados de fraudes eletrônicas. A Operação é uma resposta contundente da Polícia Civil a essa rede interestadual, reafirmando nosso compromisso em desarticular não apenas os executores, mas toda a estrutura logística e financeira que sustenta o crime organizado no ambiente virtual", afirmou o Diretor. 

Polícia Civil RS